terça-feira, 22 de maio de 2012

"CEREJEIRAS EM FLOR"

O melhor filme que assisti em DVD ultimamente foi “Cerejeiras em Flor”(Hanami/Alemanha ,2008) de Doris Dörrie. O roteiro da própria diretora trata de um homem com doença terminal que é levado por sua esposa a um passeio com destino ao Japão onde ela, especialmente, quer ver o Monte Fuji, cenário que admira de xilogravura e afinal uma cultura que evocava em dança na juventude. No caminho, o casal para em Berlim para visitar os filhos. Só um deles é ausente, morando justamente em Tóquio. A indiferença dos jovens (um rapaz e uma moça) é relevada pela mãe, como sempre. O agravante é que eles desconhecem o estado de saúde do pai. Nem o próprio doente tem conhecimento da gravidade de sua doença. Certo dia, a dedicada esposa amanhece morta. E resta aos filhos tomarem conta do pai que, muito abalado, resolve prosseguir viagem para o Japão. Ali, em contato com uma dançarina folclórica que exalta no ritmo a sua mãe já falecida ele ganha um alento que não consegue obter na companhia do filho, mais afeito à saudade da mãe e/ou muito ocupado para se deter nas idiossincrasias que o pai adota em busca de descobrir o paradeiro da esposa de quem sente saudades.
O tratamento narrativo é de uma sensibilidade extrema conseguindo deslocar a história do ritmo de um melodrama vulgar. Compara-se a vida de Rudi (Elmar Wepper) às flores de cerejeira que são fugazes e evocam a vida dos samurais, também curtas. A fotografia de Hanno Lentz consegue registrar a beleza ambiente e a música de Claus Bantzer acompanha a jornada cultural do principal personagem. Um filme brilhante em todos os sentidos. Ganhou 7 prêmios internacionais, mas não chegou aos cinemas de Belém. Está em DVD nas locadoras. É imperdível. Raridade cinematográfica ganha o mercado de DVD no Brasil com novos exemplares: “Ratos & Homens”(Of Mice and Men/EUA,1939) de Lewis Milestone e “A Noite Nupcial”(The Wedding Night/EUA,1935) de King Vidor. No primeiro observa-se um modelo de adaptação de um texto teatral (vindo de John Steinbeck), com a pintura da região rural do sul dos EUA nos anos da depressão, ressaltando-se, além da narrativa que aproveita enquadramentos e iluminação, desempenhos primorosos como o de Lon Channey Jr. como Lennie, o gigante de baixo QI que se apega ao amigo George (Burgess Meredith), mas não consegue medir a consequência de seus atos.
“A Noite Nupcial”(The Wedding Night/EUA,1935) assombra hoje se observado como um produto de uma fase casta do cinema americano. Baseado em um romance de Edwin Kopf com roteiro de Edith Fitzgerald apresenta Gary Cooper como um escritor em crise criadora que tenta inspiração no interior do país. Sua esposa, Helen (Dora Barrett), odeia isolamento e procura voltar para Nova York. Mas o escritor inspira-se, afinal, na jovem Manya (Ann Sten), aldeã prometida pelo pai polonês a casar-se com um homem rico (Ralph Bellamy). Surge um romance adúltero e termina em tragedia. Mas há muita sutileza na apresentação da história e a direção do mestre King Vidor (“A Turba”) consegue passar ao largo das armadilhas de dramalhões semelhantes.
E revi, ainda, “Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios”(Otaz na sluzbenom putu/Iugoslavia, 1960) de Emir Kusturika. O argumento trata da mudança que se processava na antiga e unida Iugoslávia na época do governo Tito. A narrativa é de uma criança, mas nem sempre se afina como tal. Esta falta de hegemonia pesa, mas a exposição dramática e cultural persiste como um bom momento de cinema.(Luzia Álvares)

domingo, 20 de maio de 2012

"A AVENTURA" DE ANTONIONI NO CC ALEXANDRINO MOREIRA DIA 28/05/12


"A AVENTURA"
Original: L’Avventura- Italia, 1960
Direção e roteiro de Michelangelo Antonioni 
Elenco:Gabrielle Ferzetti. Monica Vitti, Lea Massari.
Argumento: Uma mulher desaparece durante um piquenique numa ilha do Mediterrâneo e seu namorado inicia um romance com a sua melhor amiga.
Importância Histórica: O filme marca o inicio de uma trilogia que o diretor concebeu e que foi conhecida como “da incomunicabilidade”. Antonioni reforçava o comportamento de pessoas da classe média no após-guerra, com a crescente interiorização dos sentimentos, procurando traduzir em linguagem cinematográfica o que parecia ser privilegio da literatura. O filme ganhou um Globo de Ouro, um prêmio especial do cinema inglês e pela musica de Giovanni Fusco um do cinema italiano.

SESSÃO ACCPA/IAP
CINECLUBE ALEXANDRINO MOREIRA(AUDITÓRIO DO IAP)
"A AVENTURA"
SEGUNDA-FEIRA DIA 28/05/12
HORÁRIO : 19H
ENTRADA FRANCA 
APÓS O FILME, DEBATE ENTRE O PÚBLICO E CRÍTICOS DA ACCPA
APOIO: ACCPA (ASSOCIAÇÃO DOS CRÍTICOS DE CINEMA DO PARÁ)

"GIORDANO BRUNO" NA SESSÃO ACCPA/APC DIA 31/05/12


"GIORDANO BRUNO"
Original: Giordano Bruno –Italia 1973
Direção de Giuliano Montaldo.
Roteiro de Montaldo e Lucio De Caro
Elenco: Gian Maria Volonté,Hans Christian Blech, Mattieu Carrière.
Argumento: O filosofo e sacerdote Giovano Bruno(1548-1600) foi condenado pela Santa Inquisição por suas ideias incompatíveis com os ensinamentos religiosos especialmente na astronomia derrubando a ideia de um sistema geocêntrico. Foi condenado à fogueira por não voltar atrás em seus ensinamentos. Importância Histórica : O filme de Giuliano Montaldo ganhou aplausos não só pela abordagem clara do julgamento e suplicio do personagem-título como pela fotografia de Vittorio Storaro ,a musica de Ennio Morricone e a dedicação ao papel do ator Gian Maria Violonté.

"GIORDANO BRUNO"
DIA 31/05/12
LIVRARIA SARAIVA (BOULEVARD SHOPPING)
HORÁRIO : 17H
ENTRADA FRANCA
APÓS O FILME, DEBATE ENTRE O PÚBLICO PRESENTE E CRÍTICOS DA ACCPA E MEMBROS DA APC
APOIO : APC (ACADEMIA PARAENSE DE CIÊNCIAS) E ACCPA (ASSOCIAÇÃO DOS CRÍTICOS DE CINEMA DO PARÁ)

"TAXI DRIVER" NA SESSÃO CULT DIA 26/05/12


"TAXI DRIVER"
Origem: EUA, 1976
Direção de Martin Scorsese
Roteiro de Paul Schrader
Elenco: Robert De Niro,Jodie Foster, Cybyll Sheperd.
Argumento:Um ex-combatente do Vietnam passa a dirigir taxi nos EUA e expande a sua ferocidade herdada dos momentos de angustia que passou na guerra, atormentando personagens da noite de Nova York.
Importância Histórica: Vencedor de 24 prêmios, inclusive o do Festival de Cannes dado a Martin Scorsese o filme deu chance ao ator Robert De Niro que faria outros trabalhos com o diretor (ambos descendentes de italianos) como “O Touro Indomável”. Tido como um dos filmes onde a violência explicita apagou a memória do Codigo Hays, a censura que impedia a criatividade de muitos cineasta americanos, “Taxi Driver” marcou um tempo. E Scorsese passou a ser visto como um dos melhores diretores surgidos na segunda metade do século XX.


SESSÃO CULT
CINE LÍBERO LUXARDO
SÁBADO DIA 26/05/12
HORÁRIO : 16H
ENTRADA FRANCA
APÓS O FILME, DEBATE ENTRE CRÍTICOS DA ACCPA E PÚBLICO PRESENTE QUE TAMBÉM DISCUTIRAM SOBRE O FESTIVAL DE CANNES.
APOIO : ACCPA (ASSOCIAÇÃO DOS CRÍTICOS DE CINEMA DO PARÁ)

MOSTRA CULTURA NO CINE OLYMPIA

MOSTRA CULTURA NO CINE OLYMPIA
 Dia 22/5: “Waldemar Henrique” (54 min, 1989) : Maestro relembra sua trajetória no Pará e no mundo. Documentário jornalístico. Direção: Marlicy Bemerguy.
Horário : 18:30h
 Dia 23/5: “Pavulagem do meu coração” (32 min, 2007): A origem do grupo musical até o seu arrastão popular em Belém. Documentário. Direção: Guaracy Junior. “Magalhães Barata: 100 anos depois” (26 min, 1989): A trajetória de Magalhães Barata com imagens históricas do político. Documentário jornalístico. Direção: Afonso Klautau.
Horário : 18:30h
 Dia 24/5: “Saias, Laços e Ligas” (33 min, 1990): A presença da mulher na política no início do século 20. Documentário jornalístico. Direção: Risoleta Miranda. “Encomendação das Almas (18 min, 1989): Velórios e enterros acompanhados por encomendadores de almas em Oriximiná. Documentário jornalístico.
 Horário : 18:30h
 Dia 25/5: “Haroldo Maranhão” (34 min, 2007): Bate-papo com o escritor paraense, seus amigos, admiradores e críticos. Documentário. Direção: Junior Braga. “Parceiros do Mar” (29 min, 1991): Histórias de barqueiros e construtores de barcos. Documentário jornalístico. Direção: Mauro Bonna.
Horário : 18:30h
Dia 26/5: “Wayana – Apalai” (26 min, 1988): A história de remanescentes das duas tribos indígenas. Documentário jornalístico. Direção: Lilia Afonso. “Guajá” (28 min, 1992): A história dos índios Guajá, em uma reserva na divisa dos estados do Pará e Maranhão. Documentário jornalístico. Direção: Mauro Bonna. Horário : 18h
Dia 27/5: “Maria das Dores” (50 min, 1987): Depoimentos e discussão sobre a violência contra a mulher no Pará. Documentário jornalístico. Direção: Lúcia Leão.
Horário : 18:30h

Mostra Cultura
Exibição de documentários da TV Cultura no Cine Olympia.
De 22 a 27 de maio.
Entrada Franca.

A GRAÇA DO BESTEIROL

Jonah Hill é desses comediantes que faz graça com a cara. Modelo de cara de besta.Já com 44 titulos no currículo este californiano é a arma do filme “Anjos da Lei”(21 Jump Street), replay de uma série de TV que catapultou Johnyy Depp. O filme tem 2 diretores, Phil,Lord e Chris Miller,e deve parir uma franquia. Faz sucesso. A plateia ri das sacanagens expostas sem preconceitos. Enfim Hollywood aprendeu a usar o que se chama de palavrão e tratar sexo como objeto de piada. No final desse “anjos...”, a perda de parte do pênis do vilão é irresistível. A plateia em peso gargalhou. Eu ri, mesmo com um frio polar que me batia na cabeça por conta de dois compressores desregulados (há salas no complexo Cinépolis Boulevard que um dia podem nevar). Não vale a pena falar do enredo, tão bobo como os tipos vividos por Hill e seu comparsa Channing Tatum. A coisa está na tela para divertir. E isso não é fácil como parece para alguns chanchadeiros (inclusive nacionais)a julgar por 3 trailers apresentados antes. Assumindo o besteirol o pessoal consegue um mínimo para se lembrar em casa. E afinal eu não sei se isto é bom: há filmes que a gente esquece quando a luz do cinema acende pois a nossa massa cinzenta sabe colocar a coisa no “spam”. Quando se guarda alguma anedota salta uma qualidade. Per cause, esses “anjos” como quer o titulo brasileiros, decolam. Mesmo rasteiros.(Pedro Veriano)

INIMIGOS SIDERAIS

O grande problema dos “blockbusters” atuais é a escolha do inimigo. Sem os russos do tempo da guerra fria, os terroristas nem sempre são bem-vindos a conta do trauma deixado no povo norte-americano pelo 11/09/2001. Ficam os ETs. E em “Battleship, A Batalha dos Mares”(Battleship/EUA,2012) são eles que chegam caindo no oceano (não só o Pacifico como se pode ver na sequencia em que caem perto de Pequim) e por isso desafiando a marinha dos EUA. No inicio do filme mostra-se a descoberta de um planeta semelhante a Terra na posição que ocupa com relação ao seu sol. Mas, com uma velocidade que só se explica pela reticência do roteiro, eles alcançam o nosso mundo. E um cientista diz a outro: ”-É como os índios; nós somos índios”. Um ligeiro apanhado de sequencias identifica alguns personagens, especialmente um jovem rebelde “de figurino”, ou seja, na linha que deriva da turma comandada por James Dean em “Juventude Transviada”(Rebel without a cause/1955). Este rapaz muda de comportamento ao entrar para a marinha. E acaba sendo um herói, como colegas que enfrentam os Ets, seja dentro d’água seja na luta corpo a corpo.
Há uma cena em que se abre a armadura de um alienígena ferido. Vê-se um ser de aparência disforme do que aqueles mostrados em filmes como “O Homem do Planeta X” (que no meu entender um dos mais feios concebidos pelos autores de cinema hollywoodiano). Dá para pensar no motivo de se estimar os vizinhos siderais de monstros. A verdade é que o próprio ser humano acha feio o que desconhece. Na história de “A Bela e a Fera” de Mme. Leprince de Beaumont, Fera é um príncipe encantado. Mas até se descobrir isso é um animal horroroso. Bem diz Jean Marais no papel :”-Pobre de nós as feras que só sabemos sofrer e morrer”. Já o Quasimodo de Victor Hugo interpretado por Charles Laughton dizia-se “feio como o homem da lua”. Creio que é mais difícil achar, na história do cinema, extraterrestres afáveis. Lembro-me do ET de Spielberg, do Klatoo de “O Dia em que a Terra Parou”, dos bem recebidos tripulantes de discos voadores em “Contatos Imediatos do 3º Grau”. O normal é inimigo feroz. E se em filmes como “Alien, o Oitavo Passageiro” isto é aproveitado para um ensaio do gênero “terror”, o mais freqüente é mediocridades como este “Battleship”, uma propaganda explicita do poder bélico norte-americano na época de intervenções do país em guerras diversas.
Um exemplo de cinema para perder tempo, afinal, um videogame sem a interatividade que movimenta o tipo de jogo. Melhor é rever ou conhecer “Drive”, de Nicolas Refn, que está sendo relançado no Cine Estação. Já opinei a respeito (cf. Blog da Luzia): são emblemáticos os closes do ator Ryan Goslin. E nunca se sabe o nome de seu personagem. Não é bem o “estranho sem nome” como o caubói vivido por Clint Eastwood num bom western que exigia esse tipo de interpretação. É um solitário que se vê nas máquinas que conserta e maneja. E afinal um dirigente de seu próprio destino, não à toa dando o nome de sua história ao trabalho de um condutor. Ele dirige carros que se despedaçam nas cenas de filmes, e em sua rotina é como se fosse um desses aparelhos que se podem despedaçar dependendo de como será levado. A narrativa fluente sustenta um equilíbrio que se alimenta da violência explicita e que não parece à tôa. Mas voltando ao “Battleship”, não perca tempo em assistir a mais esse blockbuster. A indigestão desse tipo de filme pode causar aversão ao cinema como arte.(Luzia Álvares)

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